Por Rodrigo de Souza
O Brasil está fora da Copa do Mundo e, como acontece depois de cada eliminação, começa a busca pelos culpados. O treinador escalou errado, o jogador não correspondeu, faltou técnica ou planejamento. Durante alguns dias, todos terão uma explicação sobre o que deveria ter sido feito.
Mas não escrevo sobre futebol. O futebol é apenas o ponto de partida para uma reflexão maior.
Somos um país que se indigna diante dos erros, mas nem sempre demonstra a mesma disposição para aprender com eles. O 7 a 1 para a Alemanha, em 2014, deveria ter provocado uma profunda revisão do futebol brasileiro. Virou trauma e lembrança amarga. Falamos muito sobre aquela derrota, mas quanto realmente mudamos depois dela?
A mesma pergunta vale para muitos problemas que enfrentamos diariamente.
Reclamamos da saúde, da falta de oportunidades, das dificuldades das instituições sociais, da acessibilidade e da distância entre o poder público e as necessidades da população. Conhecemos esses problemas há anos. Então, por que continuamos repetindo caminhos que não apresentam resultados diferentes?
Tenho procurado acompanhar algumas dessas realidades de perto. Conversar com instituições, ouvir famílias e conhecer projetos sociais muda nossa percepção sobre política.
Quando vemos uma entidade lutando para manter suas portas abertas, a política deixa de ser discurso. Quando acompanhamos uma família em busca de atendimento, a saúde deixa de ser um número. Quando um projeto oferece oportunidades a crianças e jovens, entendemos que investir no social não é favor. É construir futuro.
É por isso que acredito em uma política de resultados.
Em 2026, teremos eleições. Talvez seja hora de aplicar às urnas parte da exigência que demonstramos diante da televisão. Para contratar um profissional, buscamos currículo e referências. Para escolher quem participará de decisões sobre saúde, educação, assistência social e bilhões de reais em recursos públicos, muitas vezes nos contentamos com um vídeo bem produzido.
Confundimos popularidade com competência, seguidores com liderança e frases de efeito com projetos.
Digo isso também como profissional da comunicação. Trabalho nessa área há anos e conheço a força de uma imagem bem construída. Sei como uma boa edição e um discurso podem criar percepções. Talvez por isso desconfie quando existe muita imagem e pouco resultado.
Não se trata de direita ou esquerda. A pergunta deveria ser simples: essa pessoa está preparada para o cargo que pretende ocupar?
Precisamos conhecer trajetórias e observar resultados. A política real não acontece apenas no palanque ou nas redes sociais. Ela aparece quando uma mãe consegue atendimento para o filho, quando uma instituição mantém suas portas abertas, quando uma criança encontra acolhimento, um jovem recebe uma oportunidade e uma pessoa com deficiência consegue circular pela cidade com dignidade.
É essa política que me interessa.
A política que aproxima pessoas, instituições e quem tem capacidade de decidir. Que ouve antes de propor e conhece a realidade antes de criar discursos. Uma política capaz de transformar articulação em resultado concreto.
A eliminação do Brasil vai passar. As camisas serão guardadas e, daqui a quatro anos, voltaremos a acreditar que será diferente.
Na política, não podemos continuar fazendo o mesmo.
Um país muda quando aprende, melhora seus critérios e deixa de escolher pelo barulho para observar capacidade, trajetória e resultados.
Em campo, uma escolha errada pode custar um campeonato. Na urna, pode custar quatro anos.
O Brasil perdeu. A pergunta agora é se vamos apenas procurar culpados ou se teremos coragem de aprender alguma coisa.
Porque reclamar do resultado depois é fácil. Difícil é aprender a escolher melhor antes.
Rodrigo de Souza é Mestre em Comunicação, Cultura e Arte. Comunicador e defensor de uma política em que escolhas sejam avaliadas por resultados, não pelo barulho.



