O Diário do Vale - A Região no Mundo!
Pesquisar

Muito além da roda: quando a capoeira transforma vidas

Mais do que uma roda de capoeira, um espaço de aprendizado, respeito e convivência. Na Associação Bela Vista Maculelê, crianças e jovens preservam a cultura brasileira enquanto desenvolvem disciplina, autoestima e valores que levarão para toda a vida.

Por Rodrigo de Souza

Hoje, 3 de agosto, é celebrado o Dia do Capoeirista.
Para muitos, a data lembra uma arte marcada pelos golpes, pela música e pela história de resistência do povo brasileiro. Mas quem convive de perto com um projeto de capoeira sabe que ela vai muito além disso.
Em Assis, tenho acompanhado de perto o trabalho desenvolvido pela Associação Bela Vista Maculelê, sob a coordenação do professor Alexandre Mantovani. E, quanto mais observo o dia a dia desse projeto, mais percebo que a verdadeira transformação acontece antes mesmo da roda começar.
É na disciplina de chegar no horário. No respeito ao colega. Na paciência para aprender um movimento novo. Na coragem de se apresentar diante do público. Na autoestima que cresce a cada conquista.
A capoeira ensina valores que muitas vezes nenhuma sala de aula consegue transmitir sozinha.
Quando uma criança entra em uma roda de capoeira, ela não aprende apenas a jogar. Aprende a ouvir, a esperar sua vez, a reconhecer a força da coletividade e a entender que ninguém evolui sem respeitar quem está ao seu lado.
Tudo isso acontece ao som do berimbau, do pandeiro e das palmas, mantendo viva uma das maiores expressões da cultura brasileira, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Projetos como o da Associação Bela Vista Maculelê mostram que investir em cultura não é apenas realizar apresentações. É criar oportunidades.
Enquanto muitos discutem apenas segurança pública, esquecemos que uma cidade segura também se constrói oferecendo caminhos para que nossas crianças e adolescentes descubram talentos, façam amizades saudáveis e encontrem referências positivas.
E é justamente aí que pessoas como o professor Alexandre fazem a diferença.
Ser mestre não é apenas ensinar uma sequência de movimentos. É orientar, incentivar, ouvir e, muitas vezes, ser uma referência para crianças que precisam de alguém acreditando nelas.
A sociedade costuma reconhecer o resultado final: uma bela apresentação, uma medalha, um evento bem organizado. Mas existe um trabalho silencioso que poucos enxergam. Horas de treino, dedicação voluntária, conversas, correções e incentivo para que cada aluno continue acreditando em si.
Esse esforço merece ser valorizado.
Neste Dia do Capoeirista, minha homenagem vai a todos aqueles que mantêm essa tradição viva e, de forma especial, à Associação Bela Vista Maculelê, ao professor Alexandre Mantovani e às famílias que acreditam que cultura também educa.
Porque cada criança que encontra seu lugar dentro de uma roda de capoeira é uma criança que amplia seus horizontes.
E uma cidade que investe em cultura, esporte e educação está, na verdade, investindo no seu próprio futuro.
Feliz Dia do Capoeirista.

Rodrigo de Souza ao lado do professor Alexandre Mantovani, responsável pelo trabalho desenvolvido na Associação Bela Vista Maculelê, referência na formação cultural e cidadã de crianças e jovens por meio da capoeira.

Rodrigo de Souza: Comunicador e defensor da cultura como instrumento de transformação social.

Ultimas Notícias!