A batalha global contra a poliomielite, liderada há décadas pelo Rotary International e parceiros globais, enfrenta um momento crítico. A queda acentuada nas taxas de vacinação infantil, que atualmente operam abaixo da meta recomendada de 95%, acendeu o alerta para o risco iminente de reintrodução e circulação do vírus. Em resposta a esse cenário, o Rotary Club de Cândido Mota/SP, representado pela presidente Elaine Guedes e pelos membros Helena Carvalho e Vinícius Nascimento, colheu o depoimento contundente da cândido-motense Sueli Marroni, que contraiu a doença aos dois anos e meio de idade.
Sueli relata que a infecção ocorreu em um período anterior à estruturação imunológica do país. “Eu não fui vacinada contra a Poliomielite, porque tive a doença dois anos antes da primeira campanha de vacinação em massa no Brasil, que ocorreu no ano de 1.961. A falta das duas gotinhas ‘milagrosas’ fez toda a diferença na minha vida inteira. Numa noite, fui dormir como uma criança normal e, na manhã seguinte, acordei com a realidade de que eu jamais voltaria a andar”, relembrou.

A poliomielite é uma infecção grave causada por um vírus que ataca diretamente o sistema nervoso. Nos quadros agudos, a patologia destrói as células nervosas, provocando paralisia motora permanente, atrofia muscular, crescimento desigual dos membros e deformidades ósseas. Caso o vírus atinja os músculos responsáveis pela respiração, o paciente pode evoluir para o óbito ou depender de suporte ventilatório artificial de forma contínua.
A medicina adverte que não existem medicamentos ou cura para a poliomielite após a infecção estabelecida; as sequelas são definitivas e irreversíveis, tornando a vacina o único mecanismo de prevenção eficaz.
Diante do risco epidemiológico atual, Marroni reforçou a necessidade do engajamento de pais e responsáveis nas mobilizações vigentes. “Ninguém melhor do que eu conhece a importância dessa vacina na vida de uma criança. Meus pais teriam dado a vida deles em troca de uma vacina para mim. Mas não tivemos tempo, o vírus me pegou antes. Graças a Deus, todos os meus irmãos tiveram a oportunidade que eu não tive, foram todos vacinados, inclusive eu também fui vacinada posteriormente porque o vírus poderia atacar novamente. Vacinação, para mim, é assunto sério! Eu acredito na ciência!”, enfatizou.
Mobilização municipal e Dia D
Como parte do esforço para reverter os índices de subvacinação, a Prefeitura de Cândido Mota, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, integra a Campanha de Multivacinação Nacional. A iniciativa, que se estende até o dia 1º de setembro, busca identificar crianças e adolescentes com doses em atraso e atualizar suas carteiras de vacinação com base no Calendário Nacional.
A principal ação de mobilização ocorre neste sábado, 22 de agosto, com a realização do ‘Dia D’. As salas de vacina funcionarão das 9h às 15h na Escola Municipal ‘Helena Pupim Albanez’ e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município, disponibilizando os imunizantes para a proteção da população infantojuvenil.
(Por Elton Valentim)



