A possibilidade de o STF voltar a discutir a exigência do diploma de Jornalismo reacende um debate que, em tempos de redes sociais e desinformação, talvez seja ainda mais necessário do que era em 2009.
Por Rodrigo de Souza
A manifestação dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes sobre a possibilidade de o STF voltar a discutir a exigência do diploma para o exercício do jornalismo trouxe novamente à tona uma questão importante. Em 2009, o Supremo derrubou essa obrigatoriedade. De lá para cá, porém, a maneira como produzimos e consumimos informação mudou completamente.
Sou favorável à exigência do diploma. E não porque considere que apenas jornalistas devam ter o direito de comunicar. Qualquer cidadão pode, e deve, escrever, publicar, denunciar, produzir conteúdo e manifestar sua opinião. Liberdade de expressão é direito de todos. Exercer profissionalmente o jornalismo é outra discussão.
Jornalismo não é apenas escrever bem, aparecer diante de uma câmera ou publicar uma informação rapidamente. Existe apuração, checagem, ética, legislação, direito de resposta, proteção de fontes e responsabilidade sobre aquilo que se torna público. Uma notícia pode atingir uma reputação, interferir em uma eleição, provocar prejuízos ou influenciar decisões de milhares de pessoas.
É claro que diploma não garante competência ou caráter. Existem excelentes profissionais sem formação específica e jornalistas diplomados que erram. Mas esse argumento também poderia ser utilizado contra praticamente qualquer formação universitária. A função do diploma nunca foi garantir talento. É oferecer conhecimento, método e preparação profissional.
E talvez seja justamente agora que essa formação faça ainda mais sentido.
Vivemos um tempo em que qualquer postagem pode alcançar milhares de pessoas em minutos. Informação, opinião, boato e notícia muitas vezes aparecem misturados na mesma tela. Uma mentira pode percorrer a cidade antes que a verdade tenha tempo de colocar os sapatos.
Por isso, faço uma pergunta simples: se nunca cobramos tanto responsabilidade de quem informa, por que deveríamos exigir menos formação?
Defender o diploma não significa criar donos da informação ou impedir novas formas de comunicação. Significa reconhecer que transformar informação em atividade profissional traz responsabilidades.
A sociedade precisa de liberdade para falar. Mas também precisa de profissionais preparados para perguntar, investigar, conferir, ouvir os lados e compreender as consequências daquilo que publicam.
Porque, se informação é coisa séria, formação também deveria ser.
Rodrigo de Souza: Publicitário e mestre em Comunicação.



