Aos 27 anos da Fundação Futuro, a carta aberta da diretora Roberta Angeli me fez voltar no tempo e lembrar do adolescente que encontrou ali oportunidades, pessoas que acreditaram nele e caminhos que ajudaram a definir sua vida.
Hoje li a carta aberta escrita do perfil do Instagram da Roberta Angeli pelos 27 anos da Fundação Futuro. E, por alguns minutos, deixei de olhar para a instituição como alguém que hoje acompanha e participa de sua caminhada. Voltei a ser o adolescente de 15 ou 16 anos que um dia chegou até ali.
Eu estudava na Escola Clybas Pinto Ferraz e minha família atravessava um período de dificuldades. Como tantos jovens, eu tinha sonhos, mas ainda não sabia exatamente onde eles poderiam me levar.
Ao longo da minha adolescência, tive a oportunidade de participar de projetos sociais, e a Fundação Futuro foi um deles. Ali tive aulas de informática, estudei espanhol e conheci oportunidades que, naquela época, estavam muito distantes da realidade de muitos jovens.
Algumas atividades aconteciam inclusive em uma sala da Igreja Presbiteriana, com estagiários da Unesp. Hoje pode parecer algo simples. Para aquele garoto, cada aula era uma janela se abrindo para um mundo maior.
Mas existe uma lembrança que guardo de forma muito especial.
Em determinado momento, a Fundação promoveu um concurso de redação entre os legionários. Eu sempre gostei de escrever, participei e conquistei o primeiro lugar.
O prêmio era um relógio.
Eu tenho esse relógio até hoje.
Ele já não funciona. Seus ponteiros pararam há muito tempo. Mas aquilo que ele representou nunca deixou de caminhar comigo.
Para um adolescente, aquele prêmio dizia muito mais do que simplesmente “você ganhou um concurso”. Era alguém dizendo: você é bom nisso. Continue.
E eu continuei.
Anos depois, escolhi a Comunicação como profissão, me tornei publicitário, continuei estudando e concluí o mestrado em Comunicação, além de especializações na área.
Às vezes acreditamos que uma trajetória profissional nasce de uma grande decisão. Nem sempre. Às vezes começa em uma sala simples, em um projeto social, em alguém que acredita em um adolescente ou em um concurso de redação cujo prêmio é um relógio.
Por isso, quando vejo a Fundação Futuro completar 27 anos, não vejo apenas uma instituição. Vejo histórias.
Vejo adolescentes que talvez estejam chegando hoje com dúvidas muito parecidas com aquelas que eu carregava. Vejo famílias que precisam de apoio e profissionais que todos os dias ajudam jovens a enxergar possibilidades além das dificuldades do presente.
Na minha caminhada, uma dessas pessoas foi Luzia Prestes, por quem tenho enorme gratidão. Hoje, vejo em Roberta Angeli e em toda a equipe da Fundação essa mesma disposição de acolher, orientar, cobrar e, principalmente, acreditar.
Talvez muitos dos jovens que estão hoje na Fundação só compreendam a importância dessa experiência daqui a dez, vinte ou trinta anos.
Eu também não compreendia.
Hoje compreendo.
Por isso, meu parabéns pelos 27 anos é também um agradecimento a todos que construíram essa história: dirigentes, educadores, parceiros, rotarianos, famílias e tantas pessoas que, em algum momento, olharam para um adolescente e enxergaram nele algo que talvez ele próprio ainda não conseguisse enxergar.
Eu fui um desses adolescentes.
Há muitos anos, a Fundação Futuro ajudou a cuidar do meu futuro. Hoje, poder estar próximo da instituição e ajudar, de alguma forma, a cuidar do futuro de outros jovens faz com que essa história complete um ciclo muito especial.
Parabéns, Fundação Futuro, pelos seus 27 anos.
Meu velho relógio pode até ter parado.
Mas tudo aquilo que vocês ajudaram a despertar em mim continua caminhando até hoje.
Rodrigo de Souza é publicitário, mestre em Comunicação e ex-legionário da Fundação Futuro, instituição onde atualmente integra o Conselho Curador. Uma história que começou como oportunidade e hoje se transforma em compromisso com as novas gerações.



