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Do sertão da Paraíba ao coração de Cândido Mota: a vitoriosa jornada de Zezão da Ambulância, o ‘Amigo das Horas Difíceis’

José Pereira da Silva, o 'Zezão da Ambulância' completou 81 anos nesta terça-feira, 25 de agosto. Na foto, ao lado da companheira Aparecida.

Há mais de sete décadas, um caminhão Ford Alemão, popularmente conhecido como ‘pau de arara’, cruzava o país sob o sol forte e a poeira das estradas de terra. A bordo, entre o cansaço de 18 dias de viagem e a esperança de um futuro incerto, estava um menino de apenas 10 anos. Ele deixava para trás a aridez de Princesa Isabel, no sertão da Paraíba, sem saber que o destino lhe reservava uma história de profundo amor e triunfo no interior de São Paulo. Esse menino era José Pereira da Silva, que nesta terça-feira, 25 de agosto, celebrou 81 anos de uma vida dedicada ao próximo.
A trajetória de ‘Zezão da Ambulância’, como ficou carinhosamente conhecido por toda a população de Cândido Mota, é o retrato da resiliência nordestina. Antes de se tornar uma figura pública na região, Zezão enfrentou a lida pesada da roça em Rosana/SP até os 20 anos. Mais tarde, trabalhando na Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro (SANBRA), os caminhos da vida o conectaram ao então prefeito de Cândido Mota, Oscar Trench, em 1983. Um convite de aniversário e uma forte chuva que o fez pernoitar na casa do prefeito selaram uma amizade que mudaria seu destino para sempre.
Prestes a ser transferido para Rondônia, Zezão recebeu de Oscar Trench o convite para ser motorista da Prefeitura. “Para mim, foi a melhor escolha da minha vida, pois aqui pude criar minha família, tenho muitos amigos e posso dizer que amo essa cidade”, relembrou emocionado, em entrevista ao jornal O Diário do Vale.

O acolhimento na dor e a política feita à mão
Em 1985, sob a gestão do prefeito Cidinho de Lima, Zezão assumiu o volante da ambulância municipal. Ali, sua verdadeira vocação floresceu. Durante quase 12 anos, ele não apenas transportou enfermos; ele ofereceu colo, paciência e palavras de conforto. Sua sensibilidade nos momentos de maior vulnerabilidade dos pacientes lhe rendeu o título mais nobre que alguém poderia receber: o de ‘Amigo das Horas Difíceis’.
O carinho plantado nos bancos da ambulância germinou em um clamor popular. Movido pelo desejo de ajudar os mais humildes, Zezão aceitou o desafio de se candidatar a vereador. Sem recursos financeiros para a campanha, a política foi feita com puro afeto: suas filhas escreviam o nome e o número do pai à mão, em pedaços de papel arrancados de cadernos escolares, para distribuir aos eleitores.
A resposta da comunidade veio como uma avalanche de gratidão. Em 1997, o homem humilde que enfrentou a dureza da migração foi eleito o vereador mais votado do município, feito que se repetiu com sua reeleição nos dois mandatos seguintes (2001 e 2004).
“Agradeço demais ao povo de Cândido Mota, pois um nordestino analfabeto, que saiu da Paraíba ainda criança, vencer na vida aqui, só tenho que agradecer a tudo que tenho”, declarou Zezão, atribuindo sua vitória primeiramente a Deus e, depois, ao povo que o adotou.
Ao apagar as 81 velas nesta semana, cercado pelo carinho da companheira Aparecida, de suas filhas, netos, familiares e amigos, Zezão da Ambulância confirmou que a maior distância que percorreu não foi entre a Paraíba e São Paulo, mas sim o caminho direto para o coração de cada cidadão cândido-motense. Ele não apenas venceu na vida; ele ensinou a uma cidade inteira o verdadeiro significado de humanidade.

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