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35 ANOS DE MILHO SAFRINHA: A pesquisa que transformou o Médio Paranapanema se despede com homenagens e alerta sobre o futuro da ciência agrícola

O Médio Paranapanema viveu nesta quarta-feira (29) um dia de história, emoção e reflexão. A 35ª Reunião Técnica do Milho Safrinha, promovida pela APTA Regional de Assis, CATI, Instituto Agronômico e CDVale em Assis, teve como palestrante principal o pesquisador científico aposentado Aildson Pereira Duarte, referência nacional na cultura e coordenador técnico da Avaliação Regional de Cultivares de Milho Safrinha do IAC/APTA ao longo de seus 35 anos.  Aildson Pereira Duarte é Pesquisador do IAC (aposentado) e da Cedro Pesquisa e Assessoria Agronômica, Campinas-SP.

Reconhecida como a primeira e mais longeva rede de experimentos de milho safrinha do Brasil, a avaliação encerra oficialmente um ciclo de 35 anos de trabalho ininterrupto que ajudou a transformar o milho safrinha de uma aposta incerta em um dos pilares do agronegócio brasileiro, hoje responsável por cerca de 80 % da produção nacional.

Da esq. para dir.: Hugo de Souza Dias, articulador da pesquisa regional desde 1992 e elo com o CDVale; Aildson Pereira Duarte, pesquisador do IAC (aposentado) e da Cedro Pesquisa, coordenador técnico da Avaliação de Cultivares há 35 anos; e Branco Fadel, presidente da Coopermota, durante a 35ª Reunião Técnica do Milho Safrinha, na APTA Regional de Assis (Estação Experimental do Instituto Agronômico de Campinas – IAC)

Uma pesquisa feita dentro da lavoura do produtor

O grande diferencial que tornou este projeto uma referência nacional foi sua metodologia. Ao contrário de ensaios instalados apenas em estações, os experimentos foram conduzidos ao longo de três décadas e meia em propriedades particulares, dentro de lavouras comerciais de agricultores da região. Essa escolha garantiu que os resultados refletissem a realidade do campo – com suas variações de solo, clima, pressão de doenças e práticas culturais.

Os resultados técnicos apresentados

Conforme folder oficial, a programação contou com: 8h30 – Custos de Produção e rentabilidade do Milho Safrinha – Denis Cimoneti – Cooperativa Agropecuária de Pedrinhas Paulista

Foi apresentada uma síntese sobre custo e rentabilidade dos últimos 15 anos, mostrando que na última safrinha a região obteve “produtividades maiores do que a histórica, favorecendo a rentabilidade da cultura”.

9h10 – Resultados agronômicos dos ensaios de cultivares de milho safrinha IAC/APTA/CATI/Empresas em 2026 no Vale do Paranapanema – Sandro Parise – CATI/SAA/SP, Cândido Mota-SP

Na sequência, foram apresentados os resultados da Avaliação de Cultivares, projeto que completa 35 anos assim como o evento e que é a principal finalidade da Reunião. Sandro Parise, da CATI, que participou da coordenação dos trabalhos nos últimos cinco anos, lembrou que as avaliações são imparciais e por isso, os resultados são uma das principais referências para a escolha das sementes.

De acordo com Aildson Pereira Duarte, o trabalho demonstra “a importância do estudo realizado a campo, comparando os materiais que já são padrões no agricultor com os novos que estão sendo lançados”. Parte desses novos materiais apresenta grande potencial para substituir os que estão no mercado, enquanto outros não se adaptam à região do Médio Paranapanema, o que reforça a necessidade da avaliação local.

O pesquisador também resgatou o contexto histórico do Vale do Paranapanema. São Paulo e Paraná, lembrou, foram os precursores do movimento safrinha. “Nas décadas de 1992, 93, São Paulo e Paraná tinham as maiores áreas de milho safrinha do Brasil”, afirmou. Hoje, São Paulo não chega a 500 mil hectares – cerca de 100 mil ha no Médio Paranapanema – frente aos 17,5 milhões de hectares cultivados no Brasil, sendo cerca de 7,5 milhões apenas no Mato Grosso. A cultura, segundo ele, migrou para o Centro-Oeste impulsionada pela expansão da soja, da qual o milho safrinha é sucessor direto.

10h20 – Avaliações de doenças no milho safrinha – Gisèle M. Fantin – Instituto Biológico, Campinas-SP

Outro ponto central foi a avaliação fitossanitária, realizada há 35 anos nos ensaios da região, com identificação das doenças, sua severidade e variação ao longo do tempo em função do clima e da troca de cultivares.

O monitoramento dos últimos anos, conforme destacou Aildson Pereira Duarte, indica que “o principal ponto hoje de preocupação com a cultura são os enfezamentos e as viroses, que são as doenças transmitidas por insetos, o pulgão do milho e a cigarrinha do milho”. Essas doenças, explicou, são favorecidas pela chamada ponte verde.

O que é a ponte verde?

“Quando colhe o milho e cultiva a soja, na fase inicial da soja emerge muitas plantas de milho dos grãos remanescentes da colheita. Essa emergência dessas plântulas crescendo no meio da soja faz com que os insetos que estavam na cultura do milho permaneçam vivos também na cultura da soja”, detalhou.

Ainda segundo o pesquisador, o controle ideal dessa tiguera deveria ser feito o mais cedo possível, mas como as cultivares de milho e soja são resistentes ao glifosato – principal herbicida utilizado –, é necessário um herbicida específico. O produtor acaba retardando a aplicação para fazê-la uma única vez, permitindo que as plantas permaneçam na lavoura por tempo suficiente para manter o ciclo dos insetos, que sobrevivem nas bordaduras e plantas daninhas até a próxima safrinha. “Então nós temos constantemente essa ponte verde, com isso o enfezamento e as viroses hoje é uma realidade, e que é o que mais preocupa na questão sanitária do milho safrinha”, concluiu. 11h – Os avanços e o legado de 35 anos de pesquisa e o futuro da escolha de cultivares de milho – Aildson Pereira Duarte – Pesquisador do IAC (aposentado) e do Centro de Pesquisa e Assessoria Agronômica, Campinas -SP

Participantes da 35ª Reunião Técnica do Milho Safrinha em Assis-SP avaliam as espigas da histórica avaliação Regional de Cultivares do IAC/APTA

Um dia de reconhecimento: as homenagens oficiais

O CDVale prestou homenagens oficiais, com entrega de certificados, a quem sustentou o projeto por 35 anos. Conforme documento oficial do evento, foram homenageados:

INSTITUIÇÕES – 35 anos de parceria

Cooperativa Agropecuária de Pedrinhas Paulista (CAP) – 35 anos de parceria ininterrupta; Coopermota Cooperativa Agroindustrial; Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (FundAg) – parceira essencial na captação de recursos para o IAC/APTA

Produtores Rurais – A generosidade de abrir a porteira

Agricultores que cederam áreas continuamente por 15 a 32 anos: Mário Ianaconi (Ibirarema) – 15 anos; Virgílio Rui (Pedrinhas Paulista) – 20 anos; Bruno e Herberte Schelegel (Maracaí) – 15 anos; Júlio e Sílvio Ciavolella (Cruzália) – 32 anos, a parceria mais longeva de todo o projeto.

Promoção da pesquisa regional

Hugo de Souza Dias – presente desde o primeiro ano, em 1992. Foi o grande aglutinador de esforços junto às cooperativas e o elo com o CDVale; Ricardo Augusto Dias Kanthack – diretor da Estação Experimental do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), depois transformada em Polo da APTA

Representando a equipe científica pluri-institucional

Dra. Gisèle Maria Fantin (Instituto Biológico) – fitopatologista com mais de 30 anos dedicados ao projeto, no monitoramento e avaliação de doenças, homenageada em nome de toda a equipe de pesquisadores especialistas.

EQUIPE DE CAMPO – APTA Regional de Assis

José Francisco dos Santos, o Mucuta – o único a estar presente nas atividades de campo nos 35 anos, do primeiro ao último dia; Edimilson Alves de Mello – coordenador da parte operacional nos últimos 15 anos, sucessor do técnico Erasmo, referência histórica na instalação de ensaios de milho.

O alerta final: O futuro da APTA Regional de Assis está em risco

O momento mais reflexivo da reunião foi a discussão sobre o futuro da própria Unidade de Assis, sede da APTA Regional de Assis, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A unidade hoje já opera no limite, com apenas uma pesquisadora na ativa: a diretora, Dra. Márcia.

A projeção feita no evento é alarmante: em 3 a 5 anos, a unidade ficará com número reduzidíssimo de servidores e praticamente sem condição operacional. O milho safrinha é apenas o primeiro ciclo que se fecha.

Como foi dito pelo pesquisador Aildson Pereira Duarte no encerramento: “São ciclos, termina esse ciclo, e nós acreditamos que outros estão se iniciando e darão continuidade, de outra maneira, ao processo de geração e difusão de tecnologias. “A história de 35 anos do milho safrinha mostra que, quando há parceria entre ciência, cooperativas e produtor, a agricultura avança. Garantir o futuro da APTA de Assis é garantir que essa história continue.

(Assessoria de Comunicação)

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