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Nelsinho Guazelli: Unanimidade de Cidadão e Profissional

Crônica do historiador em cândido-motense, Romildo Pereira de Carvalho.

Neste dia 10, o grandioso ‘Nelsinho da Farmácia’, proprietário desde 1953 da ‘Farmácia Nossa Senhora Aparecida’, estará encerrando suas atividades profissionais. Farmácia que, por décadas, foi uma extensão de nossas casas. Ali passaram milhares de cândido-motenses, que eram socorridos pelo ‘Doutor Nelsinho Guazelli’. Apesar de que ele não gosta deste título; fala que ‘não é médico’. Mas para muitos, ele era o ‘médico’, farmacêutico, amigo, compadre. Chegou até a batizar uma tia minha, a Zulmira, a tia ‘Nena’, irmã do meu Pai.
O ‘Compadre Nelsinho’, como eu o chamo, por causa da minha avó, comprou a farmácia em 1953, em sociedade com o amigo Antônio Tondato. Mas desde 1945, aos 16 anos, já trabalhava na farmácia – trabalhou por 75 anos -, atrás de um balcão, socorrendo as pessoas com os remédios; e sempre com uma palavra amiga, que acalentava os corações aflitos.
Tondato e Guazelli… Por décadas eles foram dois ‘baluartes’ de nossa cidade, socorrendo a todos numa época que não tinha ainda a ‘Casa de Saúde São Paulo’ e muito menos a Santa Casa. Por vários anos os dois revezavam em visitar o Santuário de Aparecida, agradecendo pelo dom da vida e pela conquista da compra da Farmácia Nossa Senhora Aparecida!
A maioria das pessoas, com alguma enfermidade, passava na farmácia primeiro, antes de ir ao médico. E os dois, com as suas experiências, indicavam uma medicação que solucionava o problema. A farmácia no início funcionava como uma ‘clínica’, fazendo curativos, aplicando injeções, tirando os pontos, aferindo a pressão arterial… Há quem diga que houve época que formavam filas na farmácia para tomar injeções.
O amigo Antônio Tondato vendeu a sociedade do negócio para o seu irmão, Sérgio Tondatti, que por muitos anos também ficou ao lado do amigo Nelsinho na administração do estabelecimento, dando sua bela contribuição na gestão e na indicação das medicações, socorrendo os amigos-clientes.

Por último, o ‘amigo Nelsinho’ ficou sozinho no comando da farmácia. E agora, aos 90 anos de idade, por forças alheias à sua vontade e outros fatores, resolveu encerrar seu ciclo, na atividade farmacêutica.
Conversando com o ‘Compadre Nelsinho’ esses dias no nosso ‘Salão’, eu e meu pai Ramiro falamos a ele que foi um grande vencedor na profissão, na família, como cidadão… enfim, uma unanimidade entre todos nós, uma referência, que agora encerra as suas atividades recebendo ‘nota 10 e com louvor’.
Nunca ouvimos nenhum comentário negativo do Nelsinho; foi e é um vencedor não por questões financeiras, sobretudo porque deu o seu melhor para milhares de pessoas, clientes e amigos que compravam com dinheiro ou sem dinheiro, que pagavam muitas vezes só na safra. Também deu o seu melhor para a família e para toda a comunidade.
Casado por décadas com a elegante e bondosa Ana de Oliveira Leme Guazelli, com quem teve três filhos, o amigo Gilmar, um exímio cirurgião dentista, que também estará aposentado em breve; o amigo Gilson, que trabalhou em São Paulo na área de informática, e atualmente mora no Paraná; e o amigo Nelsinho, o ‘Mury’, que também trabalhou como cirurgião dentista. O casal criou e estudou os três filhos, dando um diploma para cada um e encaminhando-os para a vida! Infelizmente, como na vida passamos por águas turvas e cristalinas, a ‘Dona Ana’ partiu para a Morada Eterna, junto ao Pai.

‘Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que sonha a vã filosofia’. A vida é um mistério, o ‘compadre Nelsinho’, na sua viuvez, encontrou uma nova companheira que também estava vivendo a viuvez, e por incrível que pareça ela tem o mesmo prenome da primeira esposa. A Ana, ou ‘Naná’ Borges, com quem vive hoje, é uma pessoa boníssima ao extremo, e era casada com o saudoso Nelson Passarelli.
Pela Farmácia ‘Nossa Senhora Aparecida’, passaram ilustres profissionais, que eram muito eficientes na profissão, auxiliando com a medicação correta. Cito alguns deles, como o Rubinho Marroni, me lembro do amigo Décio Porto, o Osvaldinho Russo, o Cláudio Corrêa, o Paulinho Barreiro, o Silvinho Begosso, o Davanso, Denilson, Válter, Carlinhos, por último o Marcinho Motta, outro ‘doutor’ no auxílio com os remédios, entre tantos outros.
O Silvinho Begosso e o saudoso Décio Porto deixaram a Farmácia Nossa Senhora Aparecida com um conhecimento ímpar na área farmacêutica, instalaram o seu próprio negócio. A ‘Drogaria Santa Rita’ é onde o Silvinho Begosso também hoje é um ‘Doutor’ na indicação de medicação e sempre com um papo agradável!

Nos fundos da Farmácia Nossa Senhora Aparecida, na rua Coronel Valêncio Carneiro e Castro, número 338, sempre morou algum farmacêutico para socorrer os clientes à noite ou de madrugada. O saudoso amigo Cláudio Corrêa já socorreu o meu pai de madrugada, nos anos 80.
O ‘Compadre Nelsinho’, além da tradição, tinha a técnica e a eficiência no desempenho da profissão. Também a dedicação, era praticamente uma doação, um sacerdócio, em favor da saúde; por décadas era o primeiro a chegar e o último a ir embora, ficava na farmácia até às 22h. Também trabalhava aos domingos, recordista em horas trabalhadas, incansável era o profissional!
Dezenas de colaboradores trabalharam na farmácia, entre eles a ‘Tite’, o Oscar, irmão de Nelsinho, o especialista no cafezinho, os filhos do Nelsinho, Gilson e Mury, a Cilene, a Cecília, a Valéria, Marquinhos Tondatti… por último, o André Santos, a Edvana Fernandes, a Carina Pepece e a neta do Nelsinho, a simpática Carla, que mesmo cursando medicina, veio ajudar, já que o vovô Nelsinho, por conta da idade, estava impedido de trabalhar devido à pandemia da Covid-19. Este terrível coronavírus atingiu o mundo todo e deu umas ‘férias forçadas’ ao ‘Compadre Nelsinho’.
Falando em férias, com o encerramento das atividades, o ‘Compadre Nelsinho’ vai ter mais tempo para ir ao sítio e assistir o ‘Coringão’ com o neto Felipão, que reside em São Paulo! Vai Corinthians!
Sempre com a alegria de atender os clientes, levando além da medicação, o papo agradável, o acolhimento humano e cristão de socorrer as pessoas em suas dores físicas e psíquicas, sempre dando o seu melhor, eis um pouquinho deste grande ser humano, que escreveu e escreve belas páginas, com inúmeros relatos da prática do bem ao próximo.

O seu nome faz parte da vida de milhares de pessoas, que guardemos sempre com carinho o seu nome Nelsinho Guazelli em nossos corações! Prazer enorme Compadre, em ter vivido ao seu lado na Coronel Valêncio, por quase 40 anos.
Vamos terminando esta crônica com a alegria, lembro que quando eu ia lá na farmácia, fazer limpeza nos ouvidos, o Décio e o Paulinho, os mais brincalhões da farmácia, jogavam moedas e parafusos enferrujados no recipiente que usavam, e falavam: ‘É, realmente estava bem sujo’.
Nossa Gratidão a Deus e a Nossa Senhora Aparecida, em poder conviver com pessoas do gabarito do ‘Compadre Nelsinho’!
Louvado seja sempre o nosso Amigo e Senhor Jesus Cristo! Ave Maria! Paz e Bem!

  • Romildo Pereira de Carvalho é historiador em Cândido Mota

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