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Ave Maria…. Maria Letícia!

Crônica do historiador Romildo Pereira de Carvalho, escrita quando nasceu sua filha Maria Letícia.

Viva! Sempre escrevi crônicas, artigos, sobre vários temas e a intenção de quem escreve, não é fazer nenhum juízo de valor, mas sim, levar o leitor a fazer uma reflexão. As crônicas são como músicas; não têm a melhor, entretanto quando nasceu a nossa tão desejada e abençoado filha, Maria Letícia, escrevi uma crônica, que na minha singela opinião é muito especial! Intitulado ‘Geração que buscava’, o texto é uma boa leitura. Vale a pena.
Pode parecer puro saudosismo, talvez o seja mesmo, mas, é a história de uma geração que pode ser chamada de ingênua por uns, no entanto foi marcada pela simplicidade e pela busca da felicidade.
Nossa infância era repleta de brincadeiras simples, sendo estas, quase sempre trazendo um sentido em nossas vidas, como por exemplo o ‘pique-salva’, que trazia-nos o ideal de companheirismo, de salvar e libertar os nossos amigos.
Não podemos esquecer da alegria, quando a chuva trazia consigo as enxurradas; íamos ao encontro e de encontro a ela e dificilmente ficávamos doentes, a não ser quando pisávamos em um caco de vidro ou em uma lata velha. O mais duro era tomar banho depois e lavarmos os pés.
Aos 10 anos aproximadamente buscávamos um empreguinho, para conseguirmos comprar umas figurinhas, uma sodinha, um doce no bar, uma bicicleta usada… Nossa primeira fonte de renda sempre era as mesmas, engraxar sapatos; eu e meu amigo Serginho Trígolo, hoje colaborador do Banco Itaú, íamos às casas para oferecer nossos trabalhos, era um diferencial para a época. Pintaram outros empregos como entregar jornais, vender revistas, vender velas no cemitério; trabalhei na Papeson em 1980, apanhar ou atrapalhar a mãe na colheita de algodão. Lembro que um dia me perdi na ‘roça’ e entrei no meio de um pasto cheio de gado, de longe avistei uma casa.
Falando nisso, lembro-me de um amigo, o ‘profeta’ Izaías, que debaixo de sol e de chuva entregava jornais e hoje, após cursar Ciências da Computação, é colaborador da IBM e professor.
Apesar de trabalharmos cedo, sempre tirávamos boas notas na escola e até ganhávamos livros de presente por nossa assiduidade e bom comportamento. Tenho até hoje o livro a Ilha Perdida, que ganhei da inesquecível professora Zilda Marquezine, na época do Grupinho.
Por volta dos 13 anos conseguimos um emprego melhor, gari na prefeitura, escritório de contabilidade, frentista, oficina, no meu caso, cabeleireiro.
Ainda criança, quando chegava visita em casa, era aquele respeito, muito de nós chegávamos a nos esconder de vergonha. E falando em respeito, muitas vezes nossos pais nos ‘falavam’ simplesmente com o olhar e as nossas professoras eram como se fossem nossas mães; ai de nós se as desrespeitássemos e nossas mães normalmente ficavam a favor da professora.

Mesmo estudando e trabalhando, ainda sobrava tempo para as brincadeiras, em especial o futebol. Jogávamos bola até não conseguirmos mais enxergá-la na escuridão, ou melhor, até a bola desaparecer no meio do mato, só podendo ser encontrada no outro dia ao amanhecer.
Por ser uma das épocas de nossas vidas mais significativas, nunca nos esqueceremos desses tempos, onde ríamos muitas vezes sem motivo aparente. Também nunca nos esqueceremos dos amigos que já não fazem mais parte do nosso círculo de convívio; dos amigos que infelizmente já partiram. Ainda preservamos a amizade de alguns companheiros de infância e da pré-adolescência, que sonhavam e buscavam a felicidade nas coisas simples, onde para caminharmos as vezes tínhamos a opção de andarmos de ‘Bamba’ ou ‘Kichut’; mas sempre preferíamos andar descalços.
Ah a televisão; ela retratava a ingenuidade da época com seus desenhos e seriados, estes, sempre transmitiam valores morais, éticos e quando a violência surgia, não era tão expressiva. Por exemplo, a série ‘Shazam’ era um ensinamento de valores humanos, levando-nos a fazer reflexões do certo e do errado, sempre apareciam pensamentos de Salomão, Mercúrio, Zeus, dentre outros, além da moral da história.
Não podia faltar nesta crônica a presença da nossa religiosidade, além da frequência nas missas. Todos os dias, às 18h, havia nas rádios a ‘Ave-Maria’, onde o Padre Zezinho cantarolava várias músicas que até hoje marcam nossas vidas… ‘Ave-Maria, mãe de Jesus, o tempo passa não volta mais… o seu amor cresce com a gente’… e esta mesma Maria nos acompanha e está bem viva no meio de nós. Felizmente muitas ‘Marias’ ainda continuam nascendo, em especial, a Maria Letícia, que veio ao mundo tão esperada, tão sonhada e tão abençoada.
E 13 anos se passaram e continuamos mais firmes e perseverantes na fé, combatendo as intempéries, as provações deste mundo que anda às avessas! Louvado seja o nosso Amigo e Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem!

Romildo Pereira de Carvalho é cabeleireiro e historiador, colaborador voluntário de O Diário do Vale.

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