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Cândido Mota realiza 1º Congresso ‘Vidas em Jogo’ contra o vício em apostas e telas

Ação faz parte do programa municipal de combate à dependência em jogos virtuais criado em Cândido Mota.

Como parte das primeiras ações práticas de sua nova legislação municipal, Cândido Mota/SP realizou o 1º Congresso Vidas em Jogo entre os dias 24 e 25 de setembro. O evento, gratuito e voltado à conscientização de famílias, jovens e profissionais sobre os impactos do vício em apostas digitais e o uso abusivo de telas, foi promovido pela Prefeitura de Cândido Mota, com o apoio das Secretarias de Saúde, Assistência Social, Educação e Cultura, além da SEDIC, do CMDCA e da Câmara Municipal.
A abertura contou com a presença do prefeito Eraldo José Pereira (o ‘Eraldo Enfermeiro’), do vice-prefeito Júlio Urbano, da secretária de Saúde Vânia Cavalcante e do presidente da Câmara Vinícius Nascimento, além de demais secretários, vereadores e da população em geral. Após a cerimônia, o público acompanhou a palestra de Igor Lemos, psicólogo clínico, doutor em Neuropsiquiatria pela UFPE, especialista em TCC pela UPE, escritor e palestrante na área de dependências tecnológicas.
Na sexta-feira, dia 25, a programação da manhã contou com palestras e atividades de conscientização direcionadas aos adolescentes. No período da tarde, o congresso ofereceu uma capacitação técnica e um workshop para profissionais da saúde e demais integrantes da rede de atendimento municipal. O prefeito Eraldo Pereira e o vice-prefeito Júlio Urbano, que acompanharam toda a programação, agradeceram a todos os envolvidos na realização do evento.

Programa Inédito
Com a iniciativa, o município de Cândido Mota/SP tornou-se um dos primeiros do país a criar políticas públicas específicas para o enfrentamento ao uso abusivo de telas e à dependência em jogos virtuais, oficializando o Programa Municipal de Prevenção e Enfrentamento à Dependência em Jogos e Apostas.
A proposta do programa nasceu a partir do relato pessoal do vice-prefeito Júlio Urbano, que enfrentou diretamente o vício nas chamadas ‘bets’ e utilizou sua experiência para alertar a população. “Eu tive problema com as bets. Como acontece com muita gente, tudo começou como uma brincadeira. Quando percebi, estava jogando com frequência e perdendo o controle da situação”, relatou o vice-prefeito. Ele explicou que conseguiu superar o problema com suporte especializado. “Graças a Deus, isso foi percebido a tempo. Minha família me ajudou, nós conversamos, procurei ajuda terapêutica e posso dizer, com muita humildade, que estou longe dos jogos”, afirmou Urbano.
O vice-prefeito também apresentou dados econômicos para ilustrar a dimensão do problema no cenário nacional, confrontando os investimentos publicitários com o prejuízo das famílias brasileiras. Ele apontou que, enquanto as empresas de apostas representam hoje mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios aos clubes da Série A do futebol nacional, um levantamento do Comsefaz/Cicef, baseado em dados do Banco Central, estimou em R$ 62,5 bilhões as perdas líquidas das famílias brasileiras com apostas em 2025.
Segundo Urbano, as perdas financeiras dos cidadãos são mais de 60 vezes superiores ao montante investido no esporte. “O futebol precisa ser forte, mas as famílias brasileiras também precisam”, pontuou, levantando o questionamento se o esporte não se tornou dependente demais dessas plataformas.

Diretrizes e Funcionamento do Programa Municipal
O programa foi desenhado para atuar de forma transversal, unindo esforços das secretarias municipais de Saúde, Educação, Assistência Social, além da Secretaria de Desenvolvimento de Indústria e Comércio (SEDIC), do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e da Câmara Municipal. A lei foca na promoção de campanhas educativas, distribuição de materiais informativos, realização de palestras e na capacitação de servidores públicos para identificar precocemente os sinais do jogo patológico e evitar o superendividamento.
Na área da Educação, as atividades terão caráter exclusivamente pedagógico e preventivo, respeitando a faixa etária dos estudantes. As escolas municipais abordarão temas como educação financeira, probabilidades e falsas expectativas de ganho, os riscos associados às promessas de enriquecimento rápido, a influência da publicidade e o uso responsável das tecnologias de informação.
Na área da Saúde, o foco será o acolhimento inicial e o encaminhamento dos pacientes para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e demais serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), além do treinamento de profissionais para reconhecer os sintomas da compulsão. A Assistência Social, por sua vez, atuará diretamente no suporte e na orientação às famílias que sofrem as consequências socioeconômicas e o desabastecimento gerado pelas perdas financeiras nos jogos.

Alertas Oficiais
O Poder Público utilizará seus canais oficiais e equipamentos públicos para divulgar mecanismos de proteção e os sistemas de autoexclusão geridos pelo Governo Federal. As campanhas institucionais reforçarão mensagens educativas claras à população, alertando que apostas não constituem investimento financeiro e não devem ser vistas como alternativa de trabalho ou renda regular.
Também serão destacados como sinais de risco a tentativa reiterada de recuperar valores perdidos, o hábito de esconder prejuízos financeiros da família, a venda de bens, a solicitação de empréstimos ou o comprometimento de verbas destinadas a despesas essenciais para a manutenção da casa.
Por fim, o município proíbe que eventuais parcerias com instituições de ensino, universidades ou organizações da sociedade civil sejam utilizadas para fins alheios aos objetivos estritamente preventivos da lei.

(Por Elton Valentim/O Diário do Vale)

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