O Diário do Vale - A Região no Mundo!
Pesquisar

‘Gigante Vermelho. Ontem. Hoje…. 100 anos’

Enfim, Cândido Mota vai ter a história detalhada em documentário elaborado pelo diretor cândido-motense Alessandro Sachetti.

Se a pandemia do novo coronavírus, a Covid-19, trouxe um mar de tristezas ao mundo, também fez as pessoas se reinventarem, seja pessoalmente, socialmente ou profissionalmente. Pessoas e entidades governamentais buscaram no ‘detalhe’, uma forma de repaginar rotinas de vidas, esperanças, e maneiras de encarar as tristezas. Entre as várias ações propostas, uma em especial está colaborando para a criação de material especial para contar a história do município de Cândido Mota, que daqui a 24 meses completa 100 anos de existência. Pelo menos oficialmente, pois há controvérsias sobre isso, com historiadores afirmando que Cândido Mota já completou 100 anos em 2018.
A Lei Aldir Blanc, estabelecida por órgãos governamentais, ficou à disposição de gestores municipais, para que criassem legislação própria em cada localidade, estimulando os cidadãos a aderirem à iniciativa. Em Cândido Mota, o projeto foi encampado pela prefeitura, logo no início da pandemia, através do ex-prefeito Roberto Bueno, ex-secretário da Educação Celso Josepetti e ex-diretora do Departamento de Cultura Luciane Caron. E teve continuidade com a gestão posterior, que tem o atual prefeito Eraldo Pereira, a secretária da Educação Elaine Fontana e o diretor de Cultura Alex Dias.
A Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural teve num primeiro momento, a fase de avaliação e julgamento, e depois, a premiação. O julgamento avaliou o mérito da proposta (artístico, técnico e conceitual), os aspectos de criatividade e de inovação, e a qualificação e experiência profissional do proponente. Além disso, os critérios para a seleção e premiação das propostas levaram em consideração os critérios, a pontuação e o número de integrantes. Foram premiadas pessoas físicas, microempreendedores individuais (MEI), e pessoas jurídicas de direito privado.
Todos os premiados apresentaram projetos com iniciativas de atividades artísticas e culturais em artes plásticas e visuais; artesanato; audiovisual; cultura popular e manifestações tradicionais; dança; design e moda; fotografia; gestão cultural; leitura, escrita e oralidade; manifestações circenses; música; ópera e musical; patrimônio histórico e artístico material e imaterial; e teatro.

O premiado
Uma das propostas premiadas foi exatamente o que relata uma parte da história do município de Cândido Mota, intitulado ‘Gigante Vermelho. Ontem, hoje… 100 anos. O diretor e criador Alessandro Sachetti, está se dedicando nos últimos meses a colher informações, gravar com personalidades e buscar imagens do município ao longo dessa história centenária. “É muito importante dizer que o documentário foi contemplado na Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural, que foi uma lei emergencial de fomento à cultura do final de 2020. E foi através da prefeitura, que criou o edital e possibilitou que conseguíssemos produzir esse conteúdo. Infelizmente temos pouco material audiovisual sobre nossa história, e penso que é preciso registrá-las antes que se percam no tempo”, explicou Sachetti.
De acordo com o diretor, o documentário está em fase final e deve ser entregue até dezembro. “Nele a gente conta a história da formação da cidade, o motivo do nome Cândido Mota, e aqui aconteceu uma descoberta muito interessante, pois sempre foi dito que era uma mera homenagem ao Dr. Cândido Motta, um político muito importante no estado de São Paulo no começo da década do século XX. Mas descobri em jornais da época que ele esteve por aqui e teve um papel importante para o surgimento do vilarejo, que inicialmente era chamado de Posto Jacu, e depois batizada de Cândido Motta”, adiantou.
E prosseguiu: “E sim, isso mesmo, Motta com dois ‘T’s’, o nome original da nossa cidade é Cândido Motta. Mas não consegui encontrar nenhuma razão específica que explicasse essa perda. Não foi nenhuma reforma gramatical, pois se trata de nome próprio. Talvez para facilitar a comunicação via telégrafo, mas não se sabe ao certo. Além disso, contamos também como era a vida das pessoas na área desde antes da construção da estação até os anos de 1930, que é quando se inicia uma nova fase na cidade, com a construção da serraria da Sorocabana”.

História viva
O diretor explica que o projeto inicialmente previa apenas 20 minutos de duração, ‘mas teve tanto material interessante com os entrevistados que não tem como deixar de fora, e o documentário passou a ter em torno de uma hora’. “Entrevistamos o professor Walter Marroni, historiador que nos emprestou todo seu conhecimento e seu trabalho feito na década de 70 como roteiro inicial de pesquisas; o ferroviário aposentado Izaías de Arruda, o engenheiro civil Totonho Vieira, neto do primeiro prefeito da cidade Antônio da Silva Vieira, o engenheiro agrônomo Fausto Chadi, o jornalista José Augusto Doná, diretor do jornal e portal O Diário do Vale, e o também o historiador e grande cuidador da memória da nossa cidade Romildo Pereira de Carvalho”.
Ainda segundo Alessandro Sachetti, ‘o projeto foi pensando com viés educacional’. “O filme vai ficar disponível para todas as escolas da cidade, inclusive com debates comigo e com convidados nas escolas da cidade. Fico muito feliz em poder compartilhar e de alguma forma registrar a nossa história”, frisa o cândido-motense, que reúne experiências profissionais na área de cinema em várias regiões do Brasil, atuando com diversos diretores.
“Quero agradecer a todos os entrevistados que colaboraram de forma generosa com informações, disponibilizando tempo para nos contar essa história. Infelizmente, a pandemia de Covid-19 atrapalhou muito o trabalho de pesquisa, eu gostaria de ter entrevistado ou pelo menos conversado com muito mais pessoas, porém o momento não foi propício para esses encontros. Gosto de pensar que este projeto é como uma primeira parte de uma história que ainda vai ser contada até os dias de hoje, se possível. Tanto que o projeto se chama ‘Gigante Vermelho: Ontem, hoje, 100 anos…’ E esta primeira parte poderíamos chamar de ‘Parte I: Estação Cândido Motta”, sugere.

Nelson Motta
Ele também adianta que nas pesquisas da história da cidade, entre tantas informações, descobriu que o escritor Nelson Motta, comentarista de Cultura e Cinema da Rede Globo, é bisneto do Cândido Motta. E que ele mesmo, até então, não sabia, justamente porque o Mota atual tem apenas um ‘T’. “Ele ficou surpreso e orgulhoso com a descoberta e nos presenteou com uma foto digital do Dr. Cândido Motta dos arquivos da família”, disse.
E completou: “Então talvez tenhamos outras surpresas, mas isso, só assistindo. Até lá, é segredo de estado. Preciso agradecer também a todos os parceiros envolvidos nesse processo desde janeiro até aqui: O Diário do Vale, Starter, Lutek Filmes, Cavassini Móveis, o pessoal do Memorial dos Municípios que gentilmente cedeu todos os arquivos da biblioteca de fotos antigas da cidade, que recém digitalizaram, à RPE Filmes, e também ao Alex Dias, diretor de Cultura, que é muito interessado no patrimônio histórico e cultural da cidade e tem dado todo o suporte em relação a documentação, prazos, prestação de contas”.

(Fotos: Alessandro Sachetti e Izabela Ribeiro)

Ultimas Notícias!