A Vara Única da Comarca de Iepê condenou, em primeira instância, 17 integrantes de uma organização criminosa especializada no desvio de cargas de grãos, com foco principal no transporte de soja. O grupo atuava de forma ramificada em diversos municípios paulistas, incluindo Cândido Mota, e também no estado do Paraná. A decisão judicial é resultado dos desdobramentos da segunda fase da Operação Falsus, liderada pela Polícia Civil.
Dos 19 acusados que foram submetidos a julgamento nesta etapa, 17 receberam sentenças condenatórias por crimes como organização criminosa, lavagem de capitais, furto qualificado e uso de documento falso, de acordo com a participação individual no esquema. Duas pessoas foram absolvidas. As penas estipuladas pelo Poder Judiciário variam de 3 anos até 20 anos e 12 dias de reclusão, além da aplicação de multas. Com esse resultado, a operação já contabiliza 23 condenações somadas as duas fases.
Logística e fraudes em plataformas de frete
As investigações da Polícia Civil revelaram uma estrutura corporativa altamente organizada e dividida em núcleos operacionais específicos. O modus operandi consistia em monitorar e selecionar cargas de soja anunciadas em plataformas digitais de frete. Integrantes da organização cadastravam motoristas e veículos vinculados ao próprio grupo para retirar os produtos de forma aparentemente regular diretamente nas empresas vítimas.
Após o carregamento, a mercadoria era desviada para locais previamente combinados, onde ocorria o transbordo dos grãos para outros caminhões. Na sequência, o produto era enviado para receptadores encarregados de reintroduzir a soja no mercado formal.
Para encobrir os rastros e atrasar as investigações, os criminosos registravam boletins de ocorrência falsos simulando roubos de carga nas rodovias de São Paulo, além de adulterar documentos de transporte e pesagem. O dinheiro obtido de forma ilícita passava por mecanismos de movimentação financeira para ocultar sua origem.
Prejuízo estimado em R$ 10 milhões
O processo judicial atual comprovou de forma direta quatro episódios de desvio que totalizaram 151,8 toneladas de soja, gerando um prejuízo imediato de R$ 407 mil. No entanto, o histórico analisado pela Polícia Civil aponta que a organização criminosa esteve envolvida no desvio de mais de 40 cargas de grãos desde o ano de 2023, elevando o prejuízo estimado acumulado para a casa dos R$ 10 milhões.
O caso começou a ser investigado em junho de 2023, após o desaparecimento de duas cargas que saíram de Iepê e nunca chegaram ao destino. A primeira fase da Operação Falsus foi deflagrada em março de 2024, culminando na segunda fase em novembro do mesmo ano, consolidando o combate às fraudes logísticas e à lavagem de dinheiro no setor agrícola da região.



