Por Rodrigo de Souza
Durante muito tempo, a questão dos animais abandonados foi tratada quase exclusivamente como responsabilidade de protetores independentes, entidades e pessoas que, por amor à causa, acabam assumindo despesas com ração, medicamentos, atendimento veterinário e abrigo.
Esse trabalho merece reconhecimento. Mas também precisamos fazer uma pergunta importante: até quando uma responsabilidade que também é do poder público continuará dependendo principalmente da boa vontade dessas pessoas?
Uma recente decisão envolvendo o município de Catanduva voltou a colocar essa discussão em evidência. O caso tratou da necessidade de estrutura adequada para acolher animais abandonados ou vítimas de maus-tratos, reforçando um debate que precisa chegar também aos municípios da nossa região.
Proteção animal não pode ser vista apenas como uma causa de alguns. Precisa ser entendida como política pública.
Isso não significa simplesmente recolher todos os animais das ruas ou construir um abrigo e acreditar que o problema estará resolvido. É preciso planejamento. Castração, atendimento veterinário, acolhimento emergencial, campanhas de adoção responsável, identificação dos animais, fiscalização contra maus-tratos e educação da população precisam fazer parte de uma política organizada.
Também existe espaço para parcerias com entidades, universidades, clínicas veterinárias e organizações da sociedade civil. Muitas vezes, quem já atua na proteção animal conhece profundamente a realidade e pode contribuir para a construção de soluções mais eficientes.
Em Assis, acredito que esse debate precisa avançar.
Precisamos conhecer melhor a realidade do município, entender a capacidade atual de atendimento, ouvir os protetores e discutir caminhos possíveis. Quantos animais estão hoje em situação de abandono? Como são atendidos os casos de maus-tratos? Qual estrutura existe? O que pode ser melhorado?
São perguntas que precisam entrar definitivamente na agenda pública.
Não devemos esperar que problemas se tornem crises ou que decisões judiciais obriguem o poder público a agir. Uma cidade bem administrada também é aquela que consegue antecipar necessidades, estabelecer prioridades e construir políticas permanentes.
Os protetores continuarão sendo fundamentais. As entidades continuarão exercendo um papel essencial. A população também precisa assumir sua responsabilidade, especialmente no combate ao abandono.
Mas nenhum deles deve carregar essa missão sozinho.
Cuidar dos animais também é cuidar da cidade. E uma cidade que se preocupa com quem não pode pedir ajuda demonstra muito sobre os valores que escolheu defender.
Rodrigo de Souza: Porque uma cidade que cuida também protege.



