Roberto Haddad deixou-nos no último domingo, 10 de maio de 2026 exatamente no dia do seu aniversário de 87 anos, pois nasceu em Cândido Mota em 10 de maio de 1939.
De família libanesa, filho de Bechara e Nazira, teve como irmãos Osvaldo (“Dedão”), Gilberto (“Gil”) e como irmãs Leila e Gislene.
Casou-se com minha irmã Sonia e tiveram dois filhos Roberto e Ronaldo. Deixou também o neto Caio e a neta Valentina.
Conheci Roberto efetivamente a partir de seu casamento com minha irmã Sonia no final de 1971. Foram 55 anos nos quais assisti e participei de momentos marcantes da minha vida ao lado deste especial cunhado.
Com ele aprendi muitas lições de vida. Fizemos muitas viagens a trabalho para São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Roberto e Sonia foram pioneiros na arte de produzir farofa de mandioca. Adotaram uma receita caseira da Dona Nazira e a transformaram num negócio inovador para a década de 1970.
No final da década de 1980 foi sócio fundador e diretor da APMESP – Associação dos Produtores de Mandioca e Derivados do Estado de São Paulo, cuja sede fica em Cândido Mota e a qual presido atualmente.
Com ela muitas viagens fizemos para contatos políticos setoriais e novos negócios.
Roberto foi um empresário de sucesso. Estrategista, soube aproveitar as oportunidades que ele próprio criou com inteligência e perspicácia. Visionário e determinado, construiu base sólida como plataforma para a projeção da família no agronegócio agora liderado pelo filho Ronaldo, meu sobrinho e afilhado de batismo juntamente com minha irmã Cristina que mora em Paraguaçu Paulista.
De Cândido Mota projetou-se também naquele município e no outro de Platina.
Homem de um enorme coração de amor pela família também se dedicou às causas e obras sociais fundando e sendo o primeiro presidente do Clube Recreativo Bandeirante, viabilizando a sua bela sede na quadra final da Rua São Caetano. Como provedor da Santa Casa de Cândido Mota contribuiu para o saneamento financeiro da entidade e inaugurou o atendimento médico em 24 horas com a contratação de mais médicos e enfermeiras proporcionando serviço de saúde aos que mais precisam e por ela não podem pagar.
Na política local contribuiu com sua opinião pragmática na solução dos problemas da comunidade.
Histórico combativo do MDB cujo apelido nos anos de 1960 era “Manda Brasa” nele militando ao lado de figuras tradicionais como José Bolfarini, Teotônio Ribeiro, Fernando Zanini, Antonio Marobo e Abílio de Gênova. No final dos anos de 1980 foi coadjuvante na formação de um novo partido que surgia após a Constituinte de 1988; o PSDB.
Sempre muito crítico, falava o que pensava sem mandar recado.
Ao mesmo tempo dedicava imenso amor à família e aos trabalhadores que lhes foram fiéis colaboradores.
Sem tristeza, porque ele foi sempre alegre e de personalidade marcante.
Mas com imensa saudade dele e dos bailes românticos que promovia no CRB dos anos dourados, nas reuniões de família nas datas solenes de confraternização com pastel e arroz com palmito plantado na fazenda, água de coco também plantado por ele, feijoada, churrasco e pamonha do milho próprio ralado, cozido e embrulhado na própria palha. Todos juntos e misturados, patrões e empregados, amigos e parentes num autêntico congraçamento como uma grande família. Esse era um especial momento de prazer e satisfação dele com os seus.
Tanto que Deus reservou-lhe o dia em que ele mais gostava por comemorar o seu aniversário para ser também o dia de sua despedida dos seus amados. Coincidência não. Divina Providência sim. Assim partiu Roberto Haddad para a eternidade deixando-nos com perene saudade.
.José Reynaldo Bastos da Silva é Geólogo com Mestrado e Doutorado na UNESP e Pós-Doutorado na UNICAMP e também Advogado de Direito Minerário e Ambiental.



