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“Vô Candinho, como a família, sempre foi apaixonado pelo mundo jurídico, cultural e político”

Bisneto de Cândido Mota, cuja grafia correta possui dois ‘T’s’, cineasta, escritor, músico, diretor e crítico de música e cinema Nelson Motta diz que tem ‘vontade de conhecer’ o município.

“Estou muito feliz e tenho a certeza que a tia Leza também vai ficar satisfeita em saber que o vô Candinho é nome de uma cidade importante no interior de São Paulo”. Assim reagiu o escritor, músico, diretor e crítico de música e cinema da Rede Globo, Nelson Motta, bisneto do Cândido Mota. Uma das mais respeitadas figuras culturais brasileiras, Motta, em conversa online com a reportagem de O Diário do Vale, em um bate papo bastante descontraído, disse que das poucas lembranças do bisavô Cândido Motta, transmitidas por familiares (“eu não cheguei a conhecê-lo”), é que todos o chamavam de vô Candinho. Ele era, como os outros familiares, apaixonado pelo mundo jurídico, cultural e político. “É uma linhagem de família da qual muito me orgulho”, ressalta o cineasta, que entre as histórias ouvidas, uma não esquece: “Estavam o vô Candinho e a vó Clarinha, sua esposa, bem velhinha, sentados em cadeiras na sala da casa. A vó pediu um cigarro e onde estava, na própria cadeira, acabou falecendo, com o cigarro na mão”.
O ‘multiartista’ disse que até pouco tempo não tinha certeza que o nome da cidade de Cândido Mota seria o mesmo que do bisavô. “Os familiares sempre falavam de uma cidade com o nome do vô Candinho, mas nunca encontrei. Nas pesquisas que fazia, algumas vezes até via o nome da cidade, mas nunca imaginei que fosse o vô, por conta de minha família possuir no sobrenome dois ‘T’s’. Então, sempre ficava aquela dúvida. Fiquei sabendo há pouco tempo que o nome da cidade de Cândido Mota é a que presta homenagem ao meu bisavô. E estou muito feliz. Aliás, é um imenso orgulho. Ganhamos um presente”, disse.

Cândido Motta, o vô Candinho de Nelson Motta, que ao longo dos anos teve um ‘T’ subtraído do nome

‘Candinho’, ‘Mottinha’, ‘Nelsinho’
Entre um compromisso e outro – aos 77 anos, disse ainda ter uma vida muito ativa, com filmagens e escritos – ele falou que o avô Cândido Motta seguiu o ‘rastro’ jurídico-cultural da família e que seus pais deram continuidade, assim como ele, como um dos grandes artistas brasileiros dos tempos modernos. “O meu trisavô Cesário Motta já seguia o mundo acadêmico e jurídico. E isso foi seguido pelo filho Cândido Motta, que é o vô Candinho, meu bisavô; pelo meu avô Cândido Mota Filho, que foi ministro de Estado, membro da Academia Brasileira de Letras e ministro do Supremo Tribunal Federal. Mas todos muito simples e humildes, não gostavam de holofotes”, relata Nelsinho, como é chamado pelos familiares. “Meu bisavô era chamado de vô Candinho; meu avô era Mottinha; e eu sou o Nelsinho”.
Quando ele fala de origem da família, conta que seus familiares são da região de Porto Feliz, cidade do interior de São Paulo. De lá a família Motta se mudou para São Paulo, onde ainda mora uma tia paterna, Maria Tereza Motta, a ‘tia Leza’, de 96 anos – que ele citou no início dessa matéria. “Ela é muito lúcida e ativa. A informação que temos, de pesquisas, é que a origem da família no Brasil é de 1810, quando chegou junto com a comitiva de d. João VI. Somos portugueses, mas o Mota de lá é com um ‘T’ só. O Motta com dois ‘Ts’ é da Itália. E isso descobri quando morei lá por quatro ou cinco anos”.
Ele também cita a humildade como traço familiar. “Mesmo com grandes destaques jurídicos, culturais e políticos, minha família sempre optou por ficar longe de tudo. Foi assim também com o vô Candinho, que não queria que a cidade tivesse seu nome. Fizeram isso à revelia, sem o consentimento dele. Assim é nossa família mesmo”, frisa Motta.

‘Anel de família’
Nesta semana, as redes sociais em Cândido Mota acabaram ganhando destaque por conta de uma postagem de Nelson Motta na formatura de Direito do neto Joaquim Motta. “Feliz da vida com meu neto @joaquimmotta voltando da cerimônia de formatura com a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil e pronto para defender o avô e a família. Maior orgulho. Mas o moleque é bom mesmo, apaixonado pelo Direito. E pela justiça, que não são exatamente a mesma coisa. Herdou um anel que foi de seu bisavô e grande advogado Nelson Cândido Motta, que por sua vez o ganhou de seu avô Cândido Motta, jurista e professor, que acabou nomeando uma cidade de São Paulo, hoje com 30 mil habitantes. Seu tataravô Cândido Motta Filho foi professor e ministro do STF. Meu pai adoraria que eu compartilhasse seu escritório, mas logo entendeu que não era minha praia e me encorajou em tudo que fiz na vida. Imagino como ficaria feliz de ver seu bisneto jurídico. O maior prêmio de minha vida era ouvi-lo dizer ‘meu filho, você só me dá alegrias’. Pois é, agora é meu neto que só me dá alegrias”, dizia o texto de Motta na internet.
Durante a entrevista, Nelson Motta relembrou da formatura do neto Joaquim e do orgulho de ele estar com o anel que o ‘vô Candinho’ usou. “É uma das maiores heranças, o saber. E o meu neto é um grande homem, será um grande doutor. A minha satisfação foi ainda maior por ele estar usando o anel que acompanha a família e que esteve também com o vô Candinho”, ressaltou Nelson Motta.

Nelson Motta na formatura do neto Joaquim, que usa o anel da família e que foi também de Cândido Mota

Projetos
Atualmente, Nelson Motta trabalha em vários projetos. Está fazendo um documentário sobre a atriz Marília Pêra para a Globo Play, um musical sobre o músico Tom Jobim, que deve ser encenado no fim do ano que vem, compondo músicas novas que serão lançadas em breve, e ainda quer lançar um livro de contos. “Estou positivo e operante! Além de tudo isso, acabei de me casar, há um mês. Me considero um privilegiado. Tenho uma família linda e uma mulher maravilhosa”, admitiu.
Nelson Motta tem a partir de agora mais um desejo, que é conhecer pessoalmente a cidade de Cândido Mota. E ficou ainda mais curioso ao ter confirmado que a cidade que a escritora Zélia Gattai cita nas obras ‘Anarquistas Graças a Deus’ e ‘Cittá Di Roma’, é de fato a Cândido Mota que homenageia o ‘vô Candinho’. “Agora quero conhecer a cidade e viver um pouco de seu povo, pisar onde o vô Candinho esteve. E onde os familiares de Zélia Gattai também estiveram. Então, como você vê, ainda tenho muitas coisas a fazer”, completou ‘Nelsinho’.

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