O orelhão, telefone público que está com os dias contados, faz parte das ruas brasileiras há décadas e se tornou um símbolo nacional. O aparelho perdeu espaço com a popularização do celular, mas já foi essencial para milhões de pessoas.
A partir deste mês de janeiro, os orelhões começarão a ser retirados das ruas. Hoje, há cerca de 38 mil desses aparelhos nas ruas brasileiras, segundo Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em Cândido Mota, são 25 telefones públicos. Na região, o município de Assis ainda conta com 68 aparelhos, Cruzália 14, Florínea 14, Ibirarema 14, Palmital 22, Pedrinhas Paulista 15, Platina 15 e Tarumã 15.
O orelhão
A história do orelhão começa em 1971 com um projeto de Chu Ming Silveira, arquiteta que nasceu na China e cresceu no Brasil. Ela trabalhava no Departamento de Projetos da Companhia Telefônica Brasileira (CTB) quando elaborou o aparelho, segundo o site dedicado à memória da arquiteta.
Nascida em Xangai em 1941, Chu Ming veio ao Brasil com a família quando ainda era criança, segundo relato de seu filho Alan Chu à BBC. Depois, se formou como arquiteta em São Paulo e foi trabalhar na CTB, onde desenvolveria o projeto.
A cabine foi lançada no Rio de Janeiro e em São Paulo em janeiro de 1972. Em formato de ovo, ela oferecia abrigo para o sol e a chuva.
Além disso, havia uma justificativa funcional: a qualidade acústica. O som entrava na cabine e era projetado para fora, diminuindo o ruído na ligação e protegendo quem falava do barulho externo.
O orelhão se espalhou pelas ruas do Brasil ao longo dos anos 1970 e ganhou o apelido pelo qual ficou conhecido.
“Foi algo inovador nesse sentido, porque era um projeto nacional. Foi projetado para o nosso país, para o nosso clima”, disse Alan Chu à BBC.
Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta, se tornou icônica pelo seu design e acabou reproduzido em outros países como Peru, Angola, Moçambique e China.
Inicialmente, o telefone funcionava com fichas telefônicas, moedas que, mais tarde, foram substituídas por cartões. A alternativa são as chamadas “a cobrar”, que descontam o valor de quem recebe as ligações.
Os orelhões eram usados com muita frequência até o começo dos anos 2000, quando boa parte da população não tinha telefone em casa. A cabine funcionava como um meio rápido de comunicação.
Estrela em ‘O Agente Secreto’
Chu Ming Silveira morreu em 1997, mas sua obra continuou prestigiada como símbolo nacional.
Recentemente, a cabine telefônica voltou a ganhar evidência entre as gerações mais jovens ao aparecer no cartaz do filme “O Agente Secreto”, vencedor do Globo de Ouro e indicado pelo Brasil ao Oscar 2026.
Na imagem, Marcelo, personagem vivido por Wagner Moura, surge dentro da cabine oval segurando um telefone público.

Desativação
Quase indispensáveis no passado, os orelhões se tornaram praticamente obsoletos com a popularização do celular. A retirada começa agora porque, no ano passado, acabaram as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos.
Com o fim dos contratos, Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefonica deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos.
A extinção dos aparelhos não será imediata. Em janeiro, começa a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados. Os orelhões só devem ser mantidos em cidades onde não há rede de celular disponível, e somente até 2028.
O processo de retirada já vinha ocorrendo nos últimos anos. Dados da Anatel mostram que, em 2020, o Brasil tinha ainda cerca de 202 mil orelhões nas ruas.
Dados disponibilizados pela agência mostram que mais de 33 mil orelhões estão ativos, enquanto cerca de 4 mil estão em manutenção.
(Com informações do g1)



