Por Rodrigo de Souza
Tenho conversado com muitas pessoas nos últimos meses, especialmente jovens, e uma sensação tem se repetido de forma preocupante: a desistência da política. Não por falta de opinião, mas por excesso de frustração. “Não muda nada”, “é sempre igual”, “faz anos que não voto”. Essas falas não nascem do desinteresse, mas do cansaço acumulado de quem não se sente representado, não se reconhece nas escolhas disponíveis e perdeu a confiança no processo.
Para refletir sobre isso, vale olhar para uma realidade muito próxima de nós: as eleições municipais de outubro de 2024. Um processo legítimo, democrático e dentro das regras, mas que revela números que merecem atenção quando analisados com mais cuidado.
Naquele pleito, a candidata eleita venceu com 40,72% dos votos válidos, enquanto a segunda colocada obteve 38,45%. Uma disputa equilibrada, definida no voto. No entanto, ao ampliar o olhar para além dos votos válidos, encontramos outro dado relevante: 1.783 votos brancos, 1.894 votos nulos e 18.671 abstenções. Somados, esses números chegam a 22.348 eleitores que, por diferentes razões, não participaram efetivamente da decisão.
Esse volume de votos, sozinho, seria suficiente para eleger um candidato. Mais do que isso: dependendo da direção tomada, poderia alterar completamente o cenário da disputa. Qualquer um dos candidatos que concorreram poderia ter vencido se esse contingente tivesse decidido participar de forma ativa. Isso não invalida o resultado, mas evidencia um problema estrutural: a desistência também interfere no rumo das eleições.
Quando muitas pessoas deixam de votar, o processo democrático passa a ser decidido por uma parcela menor da sociedade. E, nesse contexto, o desânimo acaba tendo peso político. A ausência se transforma em decisão indireta. A descrença, ainda que silenciosa, ajuda a definir quem governa.
É por isso que defender o voto não é apenas repetir um discurso institucional. É chamar a atenção para a responsabilidade coletiva que cada cidadão carrega. Participar não significa concordar com tudo, nem acreditar que um único voto resolve todos os problemas. Significa assumir o papel de escolha e, a partir dela, ter legitimidade para cobrar, acompanhar e exigir resultados.
Pensando nas eleições de 2026, esse debate se torna ainda mais necessário. Não basta apenas ir às urnas. É fundamental votar com consciência. Conhecer os candidatos, suas plataformas de governo, sua atuação concreta, os feitos já realizados e o grau real de representação que possuem na cidade.
Em Assis, isso não é difícil. Existem aqueles que estão presentes de forma contínua, que frequentam a cidade, dialogam com instituições, entregam recursos, apoiam causas sociais e ajudam a resolver demandas reais. Existem também os que aparecem apenas em períodos eleitorais. E há ainda aqueles que anunciam cifras milionárias que nunca se materializam. Cabe a nós separar discurso de prática.
Votar é mais do que escolher um nome. É escolher coerência, compromisso e presença. É decidir se queremos repetir ciclos ou construir novos caminhos. A mudança que muitos dizem não acreditar começa exatamente onde muitos desistiram: na participação consciente, informada e responsável.
Em 2026, teremos novamente a chance de decidir os rumos do país. Que não seja pela ausência, pelo cansaço ou pela descrença. Que seja pelo voto consistente, em quem realmente faz a diferença e demonstra, na prática, compromisso com a cidade e com as pessoas.
*Rodrigo de Souza, assisense, alguém que acompanha de perto a realidade da cidade e acredita que a democracia se fortalece com participação, consciência e diálogo.



