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Setembro Amarelo: Quando uma conversa pode acolher uma vida

Artigo da psicóloga cândido-motense, Juliana C. Cassemiro.

Há dores que não aparecem no corpo. Há pessoas que continuam sorrindo, trabalhando, cuidando da família e seguindo a rotina, enquanto enfrentam, silenciosamente, batalhas emocionais que ninguém consegue enxergar.
É por isso que o Setembro Amarelo é tão importante. Mais do que falar sobre prevenção do suicídio, este é um momento para falarmos sobre vida, saúde mental, acolhimento e esperança.
Precisamos aprender a olhar além das aparências. Nem sempre quem precisa de ajuda vai pedir. Algumas pessoas não conseguem encontrar palavras para explicar aquilo que estão sentindo. Outras têm medo de serem julgadas, de incomodar ou de não serem compreendidas.
Por isso, uma pergunta simples como “Como você realmente está?” pode abrir uma porta. Escutar com atenção, sem críticas e sem minimizar a dor do outro, pode ser um gesto poderoso de cuidado.
Quando alguém demonstra desesperança, isolamento, sofrimento intenso ou fala sobre não querer mais viver, esses sinais precisam ser levados a sério. Não devemos tratar o sofrimento emocional como fraqueza ou falta de vontade. Dor emocional também precisa de cuidado.
A psicoterapia oferece um espaço de acolhimento, escuta e compreensão, onde a pessoa pode falar sobre aquilo que muitas vezes não consegue compartilhar com ninguém. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: reconhecer que precisa de apoio é um ato de coragem.
Que o Setembro Amarelo não seja apenas uma campanha no calendário. Que seja um convite para construirmos relações mais humanas, nas quais exista espaço para falar, chorar, pedir ajuda e recomeçar.
Às vezes, não precisamos ter a palavra perfeita. Precisamos apenas estar presentes.
Porque quando alguém sente que é ouvido, acolhido e importante, pode começar a enxergar que ainda existem caminhos possíveis.
“Você não precisa ter todas as respostas para acolher alguém. Às vezes, ouvir com carinho já é uma forma de dizer: você não está sozinho”.
Se você ou alguém que conhece estiver passando por uma crise emocional ou pensando em suicídio, procure ajuda profissional.

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